RESUMO
Este artigo apresenta como as novas tecnologias influenciam a disciplina de Geografia, o percurso metodológico delimitou-se por um estudo exploratório de natureza qualitativa, fundamentado em levantamento bibliográfico. No atual momento, em que a informação global faz parte de nossas vidas, mudando paradigmas, é de vital importância o uso da tecnologia na educação. As novas tecnologias aplicadas na sala de aula despertam o interesse no aluno sobre o conteúdo da disciplina. Para acompanhar esta evolução, se faz necessário também a formação continuada dos professores. Também, é necessário conhecer, compreender o universo caracteristicamente complexo do fazer pedagógico, da sala de aula, do processo de construção do conhecimento, principalmente quando se trata de uma área do saber que tem como objeto o espaço enquanto resultado das vivências humanas em suas múltiplas interações, como é o caso da Geografia.
Palavras-chave: Tecnologias; Educação; Geografia.
1 INTRODUÇÃO
Com as necessidades educativas atuais, considera-se a escola como um ambiente de mediação cultural onde promove-se o desenvolvimento afetivo e moral dos indivíduos através, essencialmente, da produção de significados por meio do trabalho de professores que provêm aos alunos meios de aquisição de conceitos e conhecimentos científicos intrínsecos à cultura escolar, além de estimular um crescente desenvolvimento das capacidades operativas e cognitivas, por serem elementos interligados à aprendizagem escolar. Observamos que, neste momento venha a ocorrer a dicotomia entre teoria e prática ao que cerne aos pressupostos de aprendizagem escolar, tendo em vista a dificuldade de conseguir atender/suprir as necessidades de uma geração de jovens contemporâneos a uma constante absorção de informações através das metodologias, por vezes ultrapassadas e arcaicas, utilizadas pelos docentes.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) constituem um avanço para a educação no processo de ensino-aprendizagem, motivando e formando o futuro cientista e cidadão.
No caso específico da geografia, essas tecnologias irão facilitar o entendimento sobre os assuntos, garantindo uma aula dinâmica com maior interação entre os participantes. Ao construir o conhecimento, através da comunicação, da troca de informações, da reflexão, percebe-se a importância da utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
2 O USO DA TECNOLOGIA NA ÁREA DE GEOGRAFIA
As TICs abrem um leque de informações, sendo ferramentas indispensáveis no processo de ensino-aprendizagem. Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga provoca reações variadas. Por ser relativamente nova, a relação entre a tecnologia e a escola ainda é bastante confusa e conflituosa.
Da soma entre tecnologia e conteúdos, nascem oportunidades de ensino. Mas é preciso avaliar se as oportunidades são significativas. Isso acontece, por exemplo, quando as TICs cooperam para enfrentar desafios atuais, como encontrar informações na internet e se localizar em um mapa virtual. “A tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento de habilidades para atuar no mundo de hoje (KLOCH, 2005, p. 25)”. Em outros casos, porém, ela é dispensável. Não faz sentido, por exemplo, ver o crescimento de uma semente numa animação se podemos ter a experiência real, os resultados são melhores quando é considerada a didática específica de cada área.
2. 1 Computadores e programas
Muito mais do que salas de bate-papo e comunidades de relacionamento, o computador e a internet podem oferecer novas possibilidades na construção de novos saberes e, quando há orientação, de como aproveitar estes recursos para uma melhor aprendizagem por parte dos alunos. A multimídia apresenta-se como uma tecnologia que integra uma representação mais realista a atrativa em suas formas de textos, figuras, vídeos, encantando os alunos na apresentação de aulas mais diversificadas. Pais (2005, p. 34) diz que:
O uso da tecnologia deverá ser possível diversificar os tipos de representação, multiplicar as diferentes linguagens na educação, melhorar as condições de acesso as informações, à proporção que se alcança essa diversificação aumenta a possibilidade de ocorrer uma aprendizagem significativa.
Por exemplo, o Excel é um programa que constrói tabelas e gráficos, facilitando o ensino-aprendizagem em geografia, no conteúdo de cartografia, climatologia e hidrografia.
Segundo Rehder, (1999, p.03):
O Excel é uma planilha eletrônica com um imenso potencial. O uso correto e eficiente desta incrível ferramenta nos auxilia em nosso dia-a-dia. Sua utilização constitui um apoio organizacional ao professor, facilitando a prática docente, conseguindo gradualmente mais qualidade em seu trabalho.
2.2 Gráficos e mapas
Com os gráficos pode-se efetuar nos dados efeitos visuais. Também nos textos a adição de mapas com informações dos países, legendas, é de grande importância possibilitando a compreensão da pesquisa em diversas áreas geográficas. Nas representações cartográficas, os gráficos utilizados através das TICs, criam uma comunicação de informações e análise de forma que as interpretações interagem com o espaço geográfico, território e lugares. Comparando objetos geográficos contidos em um mapa (Maplink) e em uma imagem de satélite de alta resolução (Google Earth), constata-se o estudo comparativo, trazido à clareza, com revelação de detalhes, interpretando e compreendendo a geografia dos lugares com várias identificações do cotidiano. As imagens são um forte ponto de apoio, para trabalhar com os alunos atraindo a atenção pelas informações e beleza de imagens geradas com esta ferramenta tecnológica.
Segundo Ferreti (1994, p. 51):
A tecnologia na escola pública não só deve garantir a presença dos recursos tecnológicos na sala de aula e sim interagir nos processos curriculares, promovendo um novo encantamento da escola contribuindo para acontecer transformações qualitativas na pratica pedagógica e provocar a vontade dos alunos a gostar de estudar Geografia.
Ao proporcionar estes recursos didáticos ao aluno, surge uma possibilidade do uso das novas tecnologias em Geografia, que estimula a conscientização do trabalho que o aluno está realizando, formulando hipóteses reais com as informações e dados, formando um pesquisador crítico.
3 PROGRAMA NACIONAL DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO – PROINFO
É importante que o professor de Geografia, como de qualquer que seja a disciplina, saiba ao menos os fundamentos básicos de toda a tecnologia hoje disponibilizada. É importante também que o uso desse recurso se dê de forma racional, para que sejam oferecidas oportunidades de inserção social tanto para aluno quanto para professor e que, no caso de mau uso pode acarretar vários efeitos negativos para os sujeitos envolvidos, por isso que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) ao se preocupar com a capacitação e a educação continuada dos professores criou um programa em parceria com os governos estaduais e municipais, chamado PROINFO (Programa Nacional de Informática na Educação) que é um programa que se destina a capacitar os professores. Libâneo (1990, p. 47) explica:
O exercício da docência deveria se abster ao pressuposto de realizar atividades educativas onde ocorre uma mescla de objetivos, conteúdos, métodos e formas de se organizar o ensino com o objetivo de se obter uma assimilação ativa por parte dos educandos. Para tanto uma relação intrínseca entre aluno – professor deve ocorrer.
Lançado no Brasil, em 1996, o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), teve como justificativas: a possibilidade de alteração na condução das pesquisas e construção dos conhecimentos; a utilização de novos métodos de produção industrial; novas formas de pensar, trabalhar, viver e conviver no mundo atual, o que “muito modificaria as instituições educacionais e outras corporações (BRASIL, 1996, p. 6)”. De acordo com o Projeto do PROINFO, disponibilizado pela SEED/MEC, os objetivos deste Programa são:
- Melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem […];
- Possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas […];
- Propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico […];
- Educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida […]; (BRASIL, 1996, p. 7).
Ainda de acordo com este documento, o PROINFO foi criado para atender todas as escolas da rede pública de ensino de todos os estados brasileiros, através da colaboração entre o MEC, os governos estaduais e a sociedade, e o sucesso deste Programa dependeria fundamentalmente da capacitação dos recursos humanos envolvidos em sua operacionalização, principalmente os professores.
Segundo MEC:
O PROINFO possui como parceiros as Universidades, as Secretarias Municipais de Educação, as Secretarias de Educação Superior, as Secretarias de Educação Infantil e Fundamental e Secretaria de Educação Especial. A capacitação dos professores e feito a partir destes núcleos ( NTE) os agentes multiplicadores dispõem de uma boa estrutura para treinar educadores a utilizar a internet no processo educacional.
3.1 Linux
Ao promover o uso pedagógico das TICs relacionadas ao conteúdo educacional, o LINUX EDUCACIONAL (LE) é um software que vem de encontro a este objetivo.
Segundo o manual do Linux (p.03):
O Linux Educacional é uma distribuição baseada em Debian e vem com o BrOffice.org. Traz como interface gráfica o KDE 3.5, além de outros softwares para uso geral. Este é um projeto do Ministério da Educação – MEC – viabilizado pelo projeto PROINFO. Simples de usar, o Linux Educacional traz alguns programas e aplicativos voltados para a Educação (propósito do Projeto do MEC). Software como RIVED,DVD Escola, E-BOOKS e Hinos Nacionais estão disponíveis neste Sistema Operacional chamado Linux Educacional. O BrOffice Calç, possibilita a criação, edição e apresentação de planilhas eletrônicas. Possui todos os recursos necessários para calcular, analisar, resumir e apresentar os dados em relatórios numéricos, podendo ser ilustrados com gráficos.
O Linux facilita o acesso aos conteúdos educacionais, por tipo de mídia (texto, som, imagem e vídeo), por categoria (Ensino Médio, Salto para o futuro, História, Língua Portuguesa, Educação Especial, Escola/Educação, Ciências, Ética, Matemática, Literatura, Geografia, Pluralidade Cultural, Arte, Saúde, Educação Física, Literatura Infantil, Recorte, Artes, Filosofia, Biologia Geral, Psicologia, Literatura de Cordel, Hinos, Teologia) por Autor e por Título.
3.2 Tecnologias de Informação e Comunicação em Geografia
As TICs disponibilizadas hoje inovam e criam novos instrumentos de ensino-aprendizagem, possibilitando troca de informações, discussões e análises, descobrindo que todos têm algo a aprender. Seu uso requer capacitação docente continuada para a utilização, revisão e compreensão, integração da escola, comunidade e governos.
Com a utilização correta das TICs, a disciplina de Geografia é enriquecida de novos estímulos positivos na prática pedagógica, garantindo um maior poder de comunicação e uma sala de aula mais dinâmica.
Mas entendemos que o professor, em especial o de Geografia, deve saber reconhecer e partir das concepções que os alunos têm sobre essas TICs para elaborar, desenvolver e avaliar suas práticas pedagógicas, no sentido de refletir sobre seus conhecimentos e os usos dessas tecnologias no processo ensino/aprendizagem. A partir dessa idéia, a Geografia poderá se constituir como uma disciplina fundamental para a construção e reprodução de uma política em que o objeto principal seja o resgate dos valores sociais e humanos.
Cabe à Geografia, bem como a outras áreas do conhecimento, a tarefa de facilitar e orientar o aluno no processo das descobertas e na aprendizagem do desenvolvimento da sociedade e das relações com o espaço físico para que, como cidadãos possam contribuir na organização de uma sociedade mais consciente. Fica claro o papel da Geografia como uma disciplina que permeia e acompanha as transformações da sociedade, seja do ponto de vista físico, social, cultural ou político.
Com o desenvolvimento tecnológico, a representação e informação geográfica se ampliou com o armazenamento de informações, exibindo os mapas em telas gráficas de monitores de vídeo, meios magnéticos como: CD-ROM, discos rígidos, fitas magnéticas, disquetes, etc. O sistema de multimídia desenvolve a atenção e gosto pela matéria. Mapas que antes eram elaborados apenas em papeis, hoje com a Multimídia integram diversos tipos de apresentação e informação, podendo ser considerada uma revolução tecnológica da qual o único desafio é chegar ao alcance de todos.
Introduzir a informática nas aulas de Geografia, através de pesquisa dos conteúdos da internet, mostrando novas possibilidades de busca e informação ajudam na construção do conhecimento. Nogueira (2002, p.09) diz que:
A escola não pode estar cega as mudanças sociais que ocorrem constantemente a nossa volta. Para que isso não ocorra, se faz necessário uma constante atualização e espírito de renovação dos profissionais em educação. Aceitar as novas tecnologias como instrumento do saber, ou ainda, como forma de alcançar o conhecimento, não é negar todos os conceitos e aceitos como certo até então, mas sim, aceitar que o novo também tem suas vantagens e não necessariamente substituirá o papel do professor, ao contrário, irá auxiliá-lo na tarefa de educar.
A utilização das novas tecnologias ainda é encarada, no ambiente escolar, com reserva e preocupação. Reserva principalmente por aqueles que ainda não se julgam capacitados para utilizar as novas ferramentas tecnológicas e preocupação daqueles que, mesmo já possuindo capacitação técnica ainda não conseguem incorporar e internalizar as novas tecnologias como ferramentas instrucionais.
Para apreender e explicar a realidade, sua complexidade e dinamismo, as pesquisas realizadas no campo da Geografia, com seus métodos e teorias, contam com instrumentos do meio técnico e científico, portanto, tal cátedra, que ainda é por muitos considerada uma disciplina enfadonha, tinha neste momento a obrigação de mudar tal estereótipo criado através da inclusão de novas tecnologias, sistematizadas de forma crítica, criativa e buscando uma interação com o intuito de confrontar os diversos saberes.
Percebe-se que ainda é um desafio quebrar rotinas e velhos conceitos desatualizados. As tecnologias de informação e comunicação não têm a função de substituir o professor, mas de auxiliar o processo de ensino-aprendizagem. Segundo Kloch, (2005, p.235):
Muitas escolas se perguntam como realizar tarefas no computador da escola para os alunos em uma determinada disciplina, se não possuem softwares específicos para aquele determinado conteúdo. Pois bem, podemos utilizar softwares específicos para as atividades pedagógicas, mas também podemos utilizar qualquer tipo de software e neles acrescentar atividades pedagógicas.
A informática está presente na vida de nossa atual sociedade, abrangendo do trabalho ao lazer. Portanto, na escola, já faz parte do ensino-aprendizagem contribuindo para a construção do conhecimento. Observamos com isso que é possível sim uma constante utilização do computador nas aulas de Geografia, mas com um caráter realmente de aula, onde haja espaço para o diálogo, o questionamento e a troca de conhecimentos com o outro.
3.3 Internet
Nos deparamos na sociedade, com muitos mecanismos operando e desempenhando uma extensa parcela da função educativa de massa, incluindo o rádio, o cinema, a TV, a imprensa, e a internet. Segundo Moran (2000, p.44):
Cada vez mais poderoso em recursos, velocidades, programas e comunicação, o computador nos permite pesquisar, simular situações, testar conhecimentos específicos, descobrir novos conceitos, lugares, idéias. Produzir novos textos, avaliações, experiências.
Com a internet, o professor e o aluno encontram inúmeros recursos, em pesquisa, ampliando a visão de mundo, permitindo a comunicação com outras culturas e troca de informações. Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos e sentimos. Construir o conhecimento com o uso das tecnologias disponíveis torna o processo de aprendizagem mais real, livre e menos rígido, despertando o interesse do aluno.
Portanto, percebe-se a importância da utilização da informática na sala de aula, auxiliando os alunos na construção de novos conhecimentos, proporcionando o prazer de aprender, pois esta tem ligação com a realidade.
Kloch (2005, p. 219) diz:
As redes de eletrônicas permitem que a escola se abra para o mundo e dele extraia a informação. O aluno, munido desses instrumentos, interage mais com o conhecimento e com a cultura, facilitando a tarefa do professor. Com as redes eletrônicas, o professor e o aluno passam a ser editores de suas próprias produções.
No entanto é importante que o professor possa unir o conhecimento técnico ao pedagógico para contribuir no processo educativo. Ao planejar as aulas com o apoio dos computadores, o professor deve ter a capacidade de criação e os softwares utilizados devem estar relacionados com a grade curricular dos projetos, estimulando a resolução de problemas.
Acreditamos que o uso do microcomputador possa suprir a carência dos trabalhos de campo em Geografia nas escolas. O acesso a Internet permite aos alunos um contato pelo menos visual, de um sem número de paisagens naturais e humanizadas espalhadas pelos diversos lugares do planeta. Permitindo ao educando uma reflexão/leitura das fotografias das paisagens, imagens de satélite, representações cartográficas, etc, sobretudo facilitando o ensino da Geografia.
Este contato virtual com diferentes lugares é de grande valia, visto a maioria dos alunos carentes terem poucas oportunidades de contato real com outros lugares fora da sua realidade. Como ferramenta de apoio ao processo ensino-aprendizagem, a informática na disciplina de geografia, utiliza programas computacionais, auxilia o educador na pesquisa do conteúdo e na apresentação da matéria. Corrêa (1995, p.34) diz que:
[…] em especial o microcomputador e a utilização de mapas, que auxiliem a colocar em prática uma abordagem diferenciada do aprendizado, em que o educando é o centro da aprendizagem, em que a autonomia da mesma seja continuamente estimulada e que vise a desenvolver habilidades cognitivas associadas às diferentes áreas do conhecimento; e suas diferentes formas de uso no ensino de Geografia.
A internet disponibiliza acesso a diversas informações dos mais variados tipos de saberes, incorporando sentido e o transformando em conhecimento. Possibilita ao aluno a discussão, potencializando sua participação nas aulas. Caracterizada pela interatividade, é um recurso para trabalhar sons e torná-los visual. Através de pesquisa dos conteúdos diversos da internet, gera novas possibilidades de busca e informação, ampliando o conhecimento, envolvendo o aluno de maneira ativa e crítica. Sendo assim, para Lévi (1993, p. 59)
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informação. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência depende, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem, são capturadas por uma informática cada vez mais avançada. Não se pode mais conceber a pesquisa científica sem uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria. Emerge, neste final de século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventariaram.
Adotando o recurso da tecnologia em sala de aula, além de diversificar, torna a aula mais atrativa, motivando o aluno no estudo do espaço geográfico da sua região graças às imagens de satélite. Neste conjunto de técnicas de captação e registro de imagens a distância por intermédio de diferentes sensores, nos revela imagens da superfície terrestre, incêndios florestais, áreas de cultivo e cidades, atmosfera, etc. servindo de base para elaborar mapas.
3.4 Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNS
Com o avanço da tecnologia, o ensino nas mais diferentes áreas, especialmente na Geografia, tem como pano de fundo esta perspectiva de processos escolares, que são evidenciadas com as mudanças na estrutura dos currículos, pela definição de Diretrizes Curriculares Nacionais, pela inclusão de novos componentes como os temas transversais e as proposições dos PCNs, propostos pelo MEC. Os PCNs (1998) trazem a questão da tecnologia no ensino da Geografia, abordando que:
A incorporação das novas tecnologias só tem sentido se contribuir para a melhoria da qualidade do ensino. A presença de aparato tecnológico na sala de aula não garante mudanças na forma de ensinar e aprender. A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores (PCN’s p.27).
Hoje, as pessoas localizadas em pontos distantes do território, sentadas diante do computador, ligadas a uma rede, poderão estar interagindo ao mesmo tempo na produção de um projeto, seja ele na forma de um texto ou de um design. Isso na época apenas da telefonia seria impossível. Com o avanço das técnicas informacionais, as distâncias territoriais deixaram de representar um obstáculo aos fluxos de informações que sustentam as tomadas de decisões. Ainda segundo os PCNs:
Paralelamente, algumas cidades foram chamando para si os novos pólos técnico informacionais e o papel de nódulo de uma nova rede, mais difusa em termos de localização. Pode-se mesmo dizer que qualquer lugar que esteja ligado a uma rede de transporte e ao mesmo tempo ligado a uma rede informacional, as chamadas vias da informática, está potencialmente aberto aos novos empreendimentos.
A informática, como ferramenta de apoio ao processo ensino-aprendizagem, é um recurso que permite trabalhar com os conteúdos da Geografia utilizando programas computacionais, que vão ao encontro da necessidade do professor, a exemplo o uso da tecnologia de sensoriamento remoto em sala de aula, que é um avanço significativo na educação geográfica. A adoção deste recurso contribui com aulas mais diversificadas e atrativas e tem um papel importante, visto que o aluno se sentirá motivado em estudar o espaço geográfico da sua própria rua, bairro, cidade ou região, analisar como vivem as sociedades, como ocupam o espaço geográfico e como é a relação social desse contexto com ajuda das imagens de satélite.
3.5 Sensoriamento Remoto
A imagem de satélite é uma ferramenta para a realização da cartografia, enquanto a cartografia é a linguagem de expressão gráfica da imagem de satélite. Com isto possibilita enriquecer o trabalho com os alunos no uso desta tecnologia.
Ao utilizar o Sensoriamento Remoto para mostrar a situação de ecossistemas, hidrografia, localização de cidades, desmatamentos, área ambiental, as imagens de satélites utilizadas tornam-se um recurso didático com imenso potencial em diferentes âmbitos do ensino geográfico. Nogueira (2002, p. 48) explica que:
Os professores apontam para uma forte tendência do ensino da Geografia na contemporaneidade, que é aproximar o conhecimento geográfico da realidade, do contexto do aluno, dando-lhe sentido e significado. Nestes casos, o espaço geográfico não é apenas o local de moradia da sociedade, mas principalmente uma realidade em que a cada momento é (re)construída pela atividade do homem. Por isso, há necessidade de refletir sobre nosso mundo, compreendendo-o do âmbito local até o âmbito nacional, e finalmente planetário, e a geografia é um instrumento indispensável para fazer essa reflexão.
Com os dados que se obtém pela tecnologia do Sensoriamento Remoto monitorando os ambientes, abre a conscientização pelos impactos que provocam os problemas ambientais, tornando-se um instrumento para melhor compreensão entre professores, alunos e comunidade, esclarecendo as transformações ocorridas na natureza e a relação do homem no uso e ocupação da terra.
3.6 Sistema de Posicionamento Global – GPS
Outra mídia disponível para o ensino de Geografia é o GPS (Sistema de Posicionamento Global), que foi desenvolvido para uso da estratégia militar e hoje faz parte da sociedade civil. O receptor GPS é considerado, atualmente, a mais moderna e precisa forma de determinação da posição de um ponto na superfície terrestre. O receptor capta os sinais de quatro satélites para determinar as suas próprias coordenadas e depois calcula a distância entre os quatro satélites pelo intervalo de tempo entre o instante local e o instante em que os sinais foram enviados.
Decodificando as localizações dos satélites a partir dos sinais de ondas específicas e de uma base de dados interna, levando em conta a velocidade de propagação do sinal, o receptor pode situar-se na intersecção desses dados, permitindo identificar exatamente onde o aparelho se encontra na superfície da Terra.
Ele recebe as ondas dos satélites e calcula as coordenadas geográficas do local em graus, minutos e segundos. Desta forma, obtém a latitude e longitude, além da altitude do ponto de leitura, facilitando a confecção e atualização de mapas topográficos.
Atualmente, o uso do GPS está ao alcance dos diversos campos da atividade humana. O GPS é útil em praticamente todas as situações e profissões em que seja necessário obter uma localização precisa dos envolvidos, como trabalhos de exploração, expedições dentro de matas ou cavernas, além de ser importante para praticamente todos os veículos de vôo ou navegação, permitindo aos tripulantes saberem exatamente onde se encontram, no céu ou no mar. E educação também usa o GPS como tecnologia no ensino de Geografia.
A disciplina de Geografia também pode contar com outro aplicativo, o Google Earth. A vivência virtual em três dimensões que o Google Earth propõe ao usuário é apresentada como um complemento ao livro didático e ao atlas escolar, no qual as imagens são estáticas, apresentam apenas alguns entre os vários espaços geográficos brasileiros e mundiais, e oferece figuras em duas dimensões. Com isso, além de trazer para dentro da escola algo que a princípio está fora dela será possível mostrar aos estudantes que o computador e a internet podem ser usados não só para o entretenimento, mas também para obter e construir novos saberes.
3.7 Google Earth
Isso significa que, no limite, a Geografia que é ensinada na escola é trabalhada, na grande maioria das vezes, com exemplos abstratos e bastante distantes de muitos alunos. É justamente neste aspecto que o software Google Earth pode contribuir para a construção de saberes geográficos, trazendo o mundo – em diferentes escalas – para dentro da escola, por meio das aulas de Geografia. Fonseca (2007, p. 67) fala que:
[…] as imagens de satélite podem oferecer muito, já que o produto que elas apresentam ultrapassa de longe o que o olho humano pode ver. Tanto horizontalmente – que seria o planeta todo em sua simultaneidade quanto verticalmente – aprofundando-se numa área, num lugar.
Em linhas gerais o Google Earth é um programa desenvolvido e distribuído pela empresa Google, cuja função é apresentar um modelo tridimensional do globo terrestre, construído a partir de fotografias de satélites. Além de ser gratuito, o programa oferece uma riqueza de detalhes e possibilita o desenvolvimento de uma nova maneira de olhar e conceber geograficamente o mundo, uma vez que permite visualizar, de forma dinâmica, diferentes aspectos globais, regionais e locais de vários fenômenos.
O que chama a atenção em relação ao Google Earth é justamente o fato de ele apresentar a realidade local – dificilmente abordada nos livros didáticos – e se renovar de tempos em tempos e, por isso, disponibilizar imagens atualizadas do espaço geográfico. Isso coloca o programa em vantagem em relação aos livros impressos que normalmente abordam e mostram as realidades globais e regionais em detrimento da local, impossível de ser retratada em sua totalidade, e que se tornam obsoletos pouco tempo depois de impressos, dado o dinamismo com que as paisagens sofrem mudanças.
É bom lembrar que não se trata de desqualificar o livro didático, mas de procurar formas de complementá-lo e atualizá-lo, papel que pode ser desempenhado pelo Google Earth e também por outros programas e serviços disponibilizados pela internet.
O lado educacional enfrenta um longo desafio frente à tecnologia, mas pode esperar importantes contribuições por parte das TICs. No entanto para acompanhar os avanços da era digital, depende da qualidade docente e formação contínua numa empreitada recíproca. Aprender Geografia utilizando o recurso de mapas por satélite, nem se compara ao trabalho com livros didáticos. A grande disponibilidade de imagens, permite ao professor recursos amplos para desenvolver diversos projetos com os alunos.
Estes recursos visuais são indispensáveis para o ensino de geografia, pois além de auxiliar o professor, estimulam o senso crítico, consciente do trabalho que está realizando, contribuindo para o desenvolvimento da ciência.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim é de extrema importância aplicação desses recursos na sala de aula, pois eles irão contribuir para que os discentes se interessem pelos conteúdos que todas as matérias oferecem e no caso especifico da Geografia esses aparelhos digitais irão facilitar o entendimento sobre os assuntos dessa disciplina contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem, que irá garantir uma sala de aula dinâmica e com poder de comunicação.
A tecnologia na educação publica não só irá permitir a presença dos recursos tecnológicos na sala de aula interagindo nos processos curriculares, e sim promover um novo encantamento da escola contribuindo para acontecer mudanças positivas na pratica pedagógica estimulando os alunos a gostar da disciplina de Geografia.
O ensino de geografia avançou muito com as tecnologias atuais. Com novas formas de realizar o trabalho pedagógico também se faz necessário formar continuamente o novo professor para atuar com esta tecnologia, contribuindo de forma integrada para este avanço na educação.
O uso deste recurso oferece oportunidade de inserção social tanto para o professor quanto para o aluno. No entanto se acontecer o mau uso, acarretará efeitos negativos para os envolvidos. No atual cenário educacional, onde uma parcela significativa dos alunos possui acesso a diversos meios de comunicação e diversas fontes de informação, os recursos tecnológicos na sala de aula, somatizam na assimilação como mais uma fonte de conhecimento.
No entanto o professor de geografia, como o de qualquer outra disciplina, necessita conhecer e saber utilizar a tecnologia hoje disponibilizada. Assim como a escola tem de conhecer os programas oferecidos pelo governo e outras instituições para treinar professores a utilizar as novas tecnologias.
5 REFERÊNCIAS
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CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço: Um conceito-chave da Geografia. In: Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.
FERRETI, Celso João… I et al.I. Novas Tecnologias, Trabalho e Educação; um debate multidisciplinar. Petrópolis RJ. 6ª edição 1994
FONSECA, F. P.; OLIVA, J. T. A geografia e suas linguagens: o caso da cartografia. São Paulo: Contexto, 2007.
KLOCH, Hermínio. Informática Básica e Tecnologias na Educação. Indaial,Ed. Asselvi,2005.
LIBANÊO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1990
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MORAN, José Manoel C. & MASSETTO, Marcos C. & BEHRENS, Maria Aparecida. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas, São Paulo: Papirus, 2000.
NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro – O Professor atuando no Ciberespaço: Reflexão sobre a utilização da internet com fins Pedagógicos – Érica – São Paulo, 2002 (Coleção Reflexões Práticas e Pedagógicas).
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REHDER, Wellington da Silva e Everaldo Antonio de Paula. Excel. Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo: Dr. Micro Editora e Franchising Ltda, 1999.


