RESUMO
Nos últimos anos a preocupação com a formação docente, tornou-se um tema amplamente discutido nas esferas acadêmica e governamental. O mundo globalizado cada vez mais exigente apresenta mudanças sociais e tecnológicas que redefinem os papeis e profissionais tradicionalmente atribuídos e constituídos. Para viabilizar o potencial necessário, criando melhores condições de vida no seu ambiente, são necessários novas aprendizagens e construir permanentemente o conhecimento.
Palavras-chave: Formação; Docente; Aprendizagens; Conhecimento.
1 INTRODUÇÃO
As novas exigências educacionais trazem mudanças principalmente para as Universidades e cursos formadores do magistério. Os professores formados devem ser capazes de ensinar e ajustar sua didática as realidades sociais, culturais refazendo conceitos em novas situações que o mundo moderno impõe.
2 A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DOCENTE
A nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) da educação nacional nº 9.394/96, procura situar o professor como eixo principal da qualidade da educação, apresentando assim alguns avanços quanto à formação docente e trazendo questões essências como: associação entre a teoria e pratica exigência do curso superior para educadores da educação básica, infantil e ensino fundamental e a educação continuada para os profissionais de educação de diversos níveis. Este assunto encontra-se posto no seu TITULO VI, intitulado “Dos Profissionais da Educação “.
“ Art. 61. A formação de profissionais da educação de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:
I – a associação entre teorias e práticas inclusive mediante a capacitação em serviço;
II – aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades.
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena em universidades e institutos superiores de educação, admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:
I – cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental;
II – programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica;
III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional.
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título acadêmico.
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
I – ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos.
II – aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;
III – piso salarial profissional;
IV – progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;
V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho;
VI – condições adequadas de trabalho.
Parágrafo único. A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. “
Porém, ressaltamos que não é apenas as leis que irão por si sós, promover mudanças profundas na qualidade de nossa educação, pois há um trabalho amplo e complexo a ser realizado, cuja natureza depende essencialmente do profissionalismo, competência e principalmente, compromisso e interesse daqueles que executam.
A natureza eminentemente feminina da ocupação de professor do ensino fundamental é evidente, na medida em que 5% das mulheres ocupadas são professoras no ensino fundamental, ao passo que apenas 0,3% dos homens que trabalham encontram-se nesta ocupação. Porém este domínio feminino vem diminuindo nos últimos vinte anos.
A proporção dos professores ocupados no ensino fundamental varia com a idade. Inicialmente cresce com a idade até os 30 anos. Na faixa etária de 30 e 45 anos, a ocupação é constante, revelando uma ligeira queda. Também se observa que a partir dos 40 anos ocorre uma acentuada queda na participação dos professores entre os ocupados.
A escola é reprodutora da sociedade. A escolarização é uma escolha da sociedade, que se fundamenta no conhecimento abrangente e atualizado das praticas sociais. A competência para resolver uma situação problema envolve varias habilidades ao procurar e conferir informações.
As habilidades são essenciais na ação, mas demandam domínio de conhecimentos. Quando tomamos decisão para resolução de problemas, muitas vezes lançamos mão da improvisação e da criatividade associadas à experiência.
Nesta era de mudanças, percebe-se que tudo que se aprende fica logo ultrapassado, há de se “aprender a aprender”, no sentido de ter a competência de se reconstruir permanentemente o conhecimento.
Dessa forma Motta (1998), afirma que “nesse processo do aprender aprendendo”, onde o professor se coloca ao lado do aluno, o processo de reconstrução é permanente, busca-se compreender as etapas de aprendizagem assumindo-se o papel de orientador /mediador.
Ortiz (1998) aponta diversas habilidades as quais devem estar presentes nas pessoas que atuam na área da educação:
“ Habilidade Consensual se entende: ser respeitoso, ter empatia, capacidade de escutar, se confiável. Habilidade para Conversar ser respeitoso, empático, curioso, assertivo, claro com capacidade de escuta.
Habilidade para Debater ser respeitoso, com capacidade de escutar, ser assertivo, interrogador, confiante em si, mesmo e ter autocontrole.
Habilidade para Acompanhar – ser respeitoso, empático, com capacidade de escuta, observador, paciente, confiável, motivador e flexível.
Habilidade para Compreender – educador respeitoso, empático, com capacidade de escuta, conhecedor de crianças, motivador e problematizador.
Habilidade para resolver conflitos – é necessário, portanto, ser respeitoso, empático, consensual, imaginativo, flexível, sereno, paciente, perseverante e claro.”
Com as habilidades acima citadas, trabalhar com os alunos num clima de respeitabilidade, valorizando a iniciativa, com reconhecimento da experiência, estar-se-á formando o cidadão.
As competências referentes à compreensão do papel social da educação estabelecem relações de parceria com a comunidade. Promove uma prática educativa que leve em conta as características dos alunos, o mundo contemporâneo e o projeto pedagógico. Participa coletiva e cooperativamente da elaboração, gestão, desenvolvimento e avaliação do projeto educativo/ curricular.
Utiliza conhecimentos sobre a realidade econômica, cultural, política e social para compreender o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa. Há que compreender o processo de ensino-aprendizagem e suas relações com o contexto no qual se inserem as instituições de ensino.
Segundo Giroux ( 1988 p.23) “As instituições de treinamento de professor e as escolas públicas têm, historicamente, se omitido em seu papel de educar os docentes como intelectuais. Em parte, isso de deve à absorção da crescente racionalidade tecnocrática que separa a teoria da pratica e contribui para desenvolvimento de formas de pedagogia que ignoram a criatividade e discernimento do professor.’’
3 CONCLUSÃO
Com as tendências de contínuas mudanças da nossa era, o professor docente precisa estar mais presente, não apenas quantitativamente, mas qualitativamente. Não apenas testar e corrigir o aluno, mas acompanhar sua aprendizagem.
Os colégios de formação ainda resistem a ações de reflexão. É necessário explorar as potencialidades didáticas dos programas de ensino.
O professor do novo milênio é aquele que está sempre inovando, reconstruindo seu conhecimento, aberto às informações com os avanços, preparando a aula com várias técnicas e mantém um relacionamento cordial com o grupo de alunos.
Muita coisa tem que ser refletida e colocada em prática. O momento é difícil para o professor, convivendo com situações de violência e solidão, pois lida com alunos que criam grupos, enquanto o professor está sozinho.
Também é preciso refletir sobre a prática, chegar nos pensadores do que o professor faz, para que com alegria e esperança, juntos professor e alunos possam superar os obstáculos. Segundo Freire (1996, p.25) diz: “ Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.
4 REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia de autonomia: saberes necessários à pratica educativa. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1996
GIROUX, Henri. Teoria crítica e resistência em educação: para alem das teorias de reprodução. Petrópolis (RJ) Vozes, 1986. p.548-249.
ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 2000.
DEMO, Pedro. Conhecimento moderno sobre ética e intervenção do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1998.
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LEI 9394-96. LEI 9394-96 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.

