RESUMO
O presente trabalho é uma breve consideração sobre dois campos de nossa experiência – a ciência e a ética – abordando a necessidade de urgência do debate. Existem conflitos entre diferentes éticas e também entre diferentes teorias cientificas. Estamos diante da necessidade de alcançarmos um mínimo de conhecimento relacionado a este assunto.
Palavras-chave: Ciência; Ética; Debate.
1 INTRODUÇÃO
Os debates sobre a relação entre ética e ciência permanecem como objeto de atenção, pela maioria da comunidade cientifica. Como ponto de partida para uma compreensão de ciência, ela é o conhecimento do que é. Ocupando-se com a pesquisa e apresentação da realidade.
Já no campo da ética ou moral, nos indica os costumes ou hábitos que como trabalho de reflexão ou de busca de fundamentação para estes mesmos hábitos. Assim a ética se torna um campo de indagação fundamental: a pergunta pelo modo de existir, pela ação correta, pelo que se deve ser.
Com o nascimento da ciência moderna, no século XVII, os dois campos se distinguem. Por um lado, a imagem da natureza se transforma ao torna-se objeto de uma ciência matemática, que aos poucos substitui a divina harmonia do cosmo por um conjuntos de leis mais objetivas e seguras e menos relacionadas aos anseios e esperanças do homem.
Esta separação de campos gerou uma relação conflituosa, tornando necessário estabelecer um dialogo entre eles.
2. ÉTICA E CIÊNCIA: URGÊNCIA DO DEBATE
As relações sociais, as emoções, a linguagem e a própria consciência são hoje campo de investigação cientifica.
Assistimos a grande expansão das fronteiras da ciência para domínios resguardados à religião ou à filosofia moral.
Se a ciência não é a origem dos mandamentos morais, ela liberta ou tem poder de afastar os erros e preconceitos. A verdade não coincide com nossos desejos ou sonhos e justamente por isto, o conhecimento se torna libertador, porque afasta erros.
Assim, as ciências trazem elementos que alimentam a reflexão ética. Enquanto regula ou limita a pratica cientifica pela ética, na condução da pesquisa cientifica, questão que se coloca com urgência dado o crescimento dos poderes do homem sobre a natureza e si mesmo.
Vemos cada vez mais crescente, um conjunto de conhecimentos específicos, e em velocidade jamais vista antes, e juntamente com eles a discussão sobre a ética nas ciências.
Essa preocupação está mais direcionada à indústria bélica já que, ocorre um grande número de desenvolvimento e aplicação do conhecimento científico e tecnológico, principalmente com o uso de organismos geneticamente modificados e o desenvolvimento de produtos da nanotecnologia, demonstrando tanto o imenso potencial de benefícios quanto às possibilidades de riscos.
Infelizmente, muitas pessoas têm a idéia de que a ciência tem um forte componente danoso à sociedade e ao meio ambiente e, que o cientista é o principal responsável por essas prováveis conseqüências mas, devemos sempre levar em consideração as descobertas feitas nos mais diversos campos de conhecimento que auxiliaram na melhoria da qualidade de vida dos seres humanos. Um exemplo disso seria a necessidade crescente da produção de alimentos decorrente do aumento populacional para as próximas décadas. Não podemos subestimar a importância do desenvolvimento dos alimentos transgênicos como um modo de ampliar a oferta desses produtos. Obviamente que, alguns experimentos científicos revelam resultados negativos para o meio ambiente e os seres humanos, mas por outro lado, também são inúmeros os benefícios proporcionados pelos mesmos. Enfatizam Terra e Coelho (2005, p.200):
Como a alimentação é a base da vida saudável, os alimentos transgênicos acabariam interferindo na saúde das pessoas, aumentando os casos de doenças degenerativas e alergias. O cultivo de plantas geneticamente modificadas pode provocar o desequilíbrio no meio ambiente, como o empobrecimento da biodiversidade, a eliminação de insetos benéficos, o desenvolvimento de resistência a agrotóxicos e até a extinção de espécies.
Reconhecemos que a ciência trouxe enormes benefícios para a humanidade, mas também tem sido usada de forma perversa. Por isso, não podemos colocar a ciência acima da ética. Ética e ciência devem, juntas, estar presentes no desenvolvimento da cidadania. Também não podemos mais aceitar que pessoas de sólida formação humanística, mas ignorantes em ciência e mais ainda em tecnologia, legislem e julguem para toda a nação.
Independentemente do que pudermos imaginar, estando cientes e de acordo ou não com a evolução da ciência, ela sempre estará alcançando patamares jamais imagináveis para os seres humanos comuns. Mesmo assim, ela não deixará de se aprimorar para principalmente trazer benefícios à qualidade de vida das pessoas.
É um equivoco achar que a pratica cientifica é a ética. Há normas e valores regendo-a. Uma ética ganhou: os valores imediatos da sociedade de mercado que acabaram se impondo sobre a prática cientifica, assim como a vida dos indivíduos se deixou guiar por uma moral egoísta, na qual o que conta é prazer imediato e o consumo. Por isso se faz necessário o amplo debate para gerar soluções e repensar diante dos novos desafios da ciência e da técnica, junto com a ética.
3. CONCLUSÃO
Devemos ter em mente que o confronto não se realiza apenas entre religião e política, igreja e conhecimento científico e sim, entre o progresso humano e os limites da natureza. Não é à toa então, que torna-se cada vez mais necessária e urgente uma reflexão ética e moral da ciência contemporânea, com fins de repensar qual progresso o homem deseja alcançar, pois estamos colocando em xeque o destino da própria humanidade, já que trata de um problema de ordem universal que deverá, a princípio, afetar e trazer conseqüências para todos. A ciência conquistou o poder de modelar nossas vidas, mas também aperfeiçoou o poder de aniquilá-.la. O que podemos destacar é que quaisquer que sejam as descobertas realizadas pelo homem, todas elas podem ser usadas contra ou a favor da vida.
4. REFERÊNCIAS
TERRA, Lygia; COELHO, Marcos de Amorim. Geografia geral e geografia do Brasil: o espaço natural e socioeconômico: volume único – 1. ed. São Paulo: Moderna, 2005.

