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A Urbanização Do Brasil

RESUMO

O paper busca analisar como os fluxos migratórios internos têm influenciado o processo de urbanização brasileiro. Comparando os dados dos Censos Demográficos de 1980 e 2000, imigrantes e não migrantes são estudados segundo principais volumes e direções dos fluxos, taxa de ocupação, nível de escolaridade e renda. A análise dos dados conduz a um conjunto de conclusões que indicam uma alteração da contribuição dos imigrantes para as economias locais nas grandes cidades brasileiras. Os fluxos migratórios são abordados em um recorte espacial específico, a saber, os municípios integrantes da Rede de Localidades Centrais do Brasil, um conjunto de 177 localidades urbanas selecionadas segundo integração territorial e a expressão populacional no contexto regional. As novas dinâmicas socioeconômicas vividas pelo país, como o crescimento das cidades de porte médio e a metropolização de novas áreas, bem como a expansão do meio técnico científico e a integração econômica dos lugares na lógica recente do processo de globalização, tem proporcionado a estruturação de novas territorialidades impregnadas de fatores positivos para o crescimento econômico e para a atração populacional. Assim, na medida em que a rede urbana nacional torna-se mais densa e os migrantes de origem urbana mais numerosa torna-se importante qualificar em que medida vem ocorrendo alterações no perfil destas populações em movimento, e como tais alterações tem se expressado nas diferentes porções do país.

Palavras-chave: Urbanização Brasileira; Rede Urbana; Regiões Metropolitanas.

1 INTRODUÇÃO

Apenas a parti da década de 40, que se estruturou uma rede urbana em escala nacional. Até então, o Brasil era formado por “arquipélagos regionais” polarizados por suas metrópoles e capitais regionais. A integração econômica entre São Paulo, Zona da Mata nordestina, Meio-Norte e região Sul era extremamente frágil.
Com a modernização da economia, primeiro as regiões Sul e Sudeste formaram um mercado único que, depois, incorporou o Nordeste e, mais recentemente, também o Norte e o Centro-Oeste.
As metrópoles concentravam os índices de crescimento urbano e econômico e detinham o poder político em grandes frações do território. É o caso de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. As metrópoles abrigavam, em 1950, aproximadamente 18% da população do país; em 1970, cerca de 25%; e, em 1991, mais de 30%.
À medida que a infra-estrutura de transportes e comunicações foi se expandindo pelo país, o mercado se unificou e a tendência a concentração urbano-industrial ultrapassou a escala regional, atingindo o país como um todo. Assim, os grandes pólos industriais da região Sudeste, passaram a atrair um enorme contingente de mão-de-obra das regiões que não acompanharam seu ritmo de crescimento econômico e se tornaram metrópoles nacionais.
Após a Revolução de 1930, que levou Getulio Vargas ao poder, até meados da década de 70, o governo o federal concentrou investimentos de infra-estrutura industrial na região Sudeste, que, em conseqüência, se tornou o grande centro de atração populacional do país.
Os migrantes que a região recebeu eram, constituídos por trabalhadores desqualificados e mal remunerados, que foram se concentrando na periferia das grandes cidades.
Com o passar dos anos, a periferia se expandiu demais e a precariedades do sistema de transportes urbanos levou a população de baixa renda a preferir morar em favelas e cortiços no centro das metrópoles.

2 A URBANIZAÇÃO BBRASILEIRA
2.1 URBANIZAÇÃO, UMA TENDÊNCIA MUNDIAL

A população mundial, que já atingiu a cifra de 6 bilhões de habitantes, continua crescendo, embora de forma cada mais desacelerada.Esse crescimento, no entanto, não é homogêneo. Em primeiro lugar, os países de economias menos desenvolvidas são os que mais contribuem para o acréscimo de pessoas, uma vez que, nessas regiões, o crescimento vegetativo da população é maior.
Por outro lado, percebe-se que a urbanização é um fenômeno cada vez mais generalizado no mundo. Em 1960, a população urbana representava 34% da população mundial; em 1992, esse percentual saltou para 44% e estima-se que em 2025, 61,01% de toda a população mundial viva nas cidades.
O crescimento do número de pessoas que vivem nas cidades deve ser explicado, principalmente, pelo forte êxodo rural que, resulta do processo de mecanização agrícola, por problemas como a concentração fundiária e pela perspectiva de melhoria das condições de vida nas cidades.
Como nas economias mais desenvolvidas esse processo já vinha acontecendo desde o século passado e já está estabilizado, é possível pensar que o crescimento urbano, nos dias atuais, seja um fenômeno característico de países mais pobres.
Segundo Matos (2002), os dados demográficos da década de 60 já mostravam claramente os migrantes como protagonistas do processo de expansão urbano brasileiro, principalmente considerando a redução progressiva da fecundidade impulsionada pelos avanços técnico-científicos e pelo estilo de vida urbano.
A partir dos anos 70 as migrações internas deixam de ser predominantemente de tipo rural-urbano e os movimentos urbano crescem até se tornarem predominantes em quase todo o território.

2.2 INDUSTRIALIZAÇÃO, MODERNIZAÇÃO DA ECONOMIA E URBANIZAÇÃO NO BRASIL

Tecnicamente, a urbanização consiste no aumento relativo da população das cidades, acompanhada, portanto, pela redução da porcentagem dos contingentes populacionais do campo. Na maioria dos exemplos históricos, a urbanização foi precedida ou ocorreu simultaneamente com a industrialização.
No Brasil, as bases da industrialização foram lançadas na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, e a consolidação do processo deu-se nas décadas de 1950 e 1960. Dessa forma, desencadeou-se um quadro de modernização de toda a economia, que elevou as cidades à posição central na vida brasileira.
Por outro lado, a modernização também atingiu as atividades agrárias, gerando desemprego e miséria nas zonas rurais, o que levou um grande contingente populacional do campo em direção às cidades. Esse período foi marcado por intensas migrações, tanto no sentido do campo para as cidades, como, num quadro mais amplo, dos estados e regiões de economia agrária para o Sudeste industrializado.
O processo de modernização da economia brasileira, até os dias de hoje, não levou à superação da pobreza e das desigualdades sociais. A modernização aprofundou as desigualdades já existentes, geradas num passado distante, pois esteve apoiada numa maior concentração de rendas. Apesar da expansão das camadas médias, que apresentam um bom poder aquisitivo e contribuíram para a expansão do mercado consumidor, a diferença de rendimentos entre ricos e pobres é hoje muito maior do que no início da modernização.

3 OS MOVIMENTOS POPULACIONAIS E A URBANIZAÇÃO

O êxodo rural ou migração rural-urbana tem como causas principais a industrialização e geração de empregos nas cidades, além das transformações e problemas no campo, como a concentração fundiária, mecanização rural e mudanças nas relações de trabalho na agropecuária.
No caso brasileiro, as grandes cidades, em que pesem os problemas sociais persistentes, ofereciam condições muito vantajosas para os numerosos contingentes que para lá se deslocavam.
O desenvolvimento urbano-industrial provocou uma aceleração das migrações regionais, durante os anos 1950, 1960 e 1970. O principal deslocamento populacional, que marcou esse período, ocorreu entre as regiões Nordeste e Sudeste. Milhões de pessoas transferiram-se para o eixo Rio-São Paulo, atraídas por uma inédita oferta de empregos, gerada no seio de uma rápida industrialização, o que também levou a uma urbanização caótica.

 3.1 A URBANIZAÇÃO CONCETRADORA: O PROCESSO DE METROPOLIZAÇÃO

Nos países desenvolvidos a urbanização reflete-se na melhoria da qualidade de vida e expansão da rede de serviços. Na América Latina, entretanto, o intenso êxodo rural e a carência de empregos nos setores secundário e terciário trouxeram conseqüências como à expansão das favelas, o crescimento da economia informal e, em muitos casos, o aumento do contingente de população pobre, num processo denominado inchaço urbano.
O desenvolvimento metropolitano veio, portanto, acompanhado de problemas sociais e ambientais, tais como a falta de moradias e favelização, a carência de infra-estrutura urbana, o crescimento da economia informal, a poluição, o trânsito, periferização da população pobre e ocupação de áreas de mananciais.
Em São Paulo, por exemplo, o crescimento provocou intensa conurbação (integração física entre áreas urbanas), criando uma gigantesca área urbana que abriga 37 municípios – A Grande São Paulo. Entre eles destacam-se Guarulhos, Osasco e o chamado ABCD – Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul e Diadema. Esses municípios formam a principal região industrial do país, sediando as mais dinâmicas empresas nacionais e multinacionais.
A capital paulista é a maior cidade do país e uma das maiores cidades do mundo. Seu grande desenvolvimento deu-se ,principalmente, na segunda metade do século, quando a industrialização criou um pólo de atração populacional, com rápida expansão dos setores secundário e terciário.
A cidade cresceu praticamente à revelia de um planejamento estatal urbano e seus equipamentos de infra-estrutura, moradia e transportes não atendem às demandas sociais. Isso não reduz a importância econômica, política e social de São Paulo que, embora viva hoje um processo de fuga de indústrias, continua assumindo uma vocação de pólo financeiro, comercial e de serviços, em geral. São Paulo é a metrópole global brasileira, onde está sediado o comando das principais atividades econômicas do país.

4 HIERAQUIA URBANA

A economia agrário-exportadora das primeiras décadas do século XX caracterizava o Brasil como um “país-arquipélago”. Em outras palavras, não havia uma articulação consistente entre as economias das regiões do país, isoladas pela carência de transportes e comunicações e com funções econômicas que não se integravam plenamente.
O processo de industrialização e urbanização foi o elemento fundamental na integração regional. O Sudeste, liderado pelas áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, passa a comandar e ser o coração de uma economia cada vez mais integrada. O desenvolvimento das telecomunicações e a expansão da malha rodoviária possibilitaram um incremento no fluxo de mercadorias, pessoas e serviços, integrando a Amazônia, o Centro-Oeste e as áreas mais pobres do Nordeste, com o Sudeste e o Sul.
Com o campo cada vez mais dependente das cidades, paulatinamente vai se formando em todo o território uma hierarquia urbana, uma rede integrada de funções econômicas, políticas e de relações sociais entre as cidades brasileiras. Veja alguns exemplos de áreas urbanas e suas posições na hierarquia que se formou (há variações de nomenclatura, de acordo com cada autor):
Metrópoles Nacionais – regiões metropolitanas (conjunto de municípios interligados a uma grande cidade) que exercem influência em todo o país: Grande Rio e Grande São Paulo;
Metrópoles Regionais – regiões metropolitanas que influenciam uma região do país: Grande Porto Alegre, Grande Salvador, Grande Belém, etc;
Pólos (ou centros) regionais – cidades que influenciam as áreas urbanas vizinhas: Florianópolis (SC), Santos(SP), Vitória (ES), Campina Grande(PB), etc;
Centros locais – cidades de menor importância.

5 DA METRÓPOLE NACIONAL À CIDADE GLOBAL

O processo de globalização da economia internacional colocou outros parâmetros para as grandes metrópoles mundiais. O aperfeiçoamento dos transportes, a rapidez das comunicações, possibilitada pela telefonia móvel, pelo fax e pela internet, provocaram uma integração das cidades em níveis muito mais amplos.
As principais metrópoles, dotadas de melhor infra-estrutura de serviços, transportes e comunicações, tornaram-se centros geográficos privilegiados, de onde as empresas transnacionais comandam toda sorte de transações materiais e virtuais. Ou seja, formaram-se laços muito estreitos entre as empresas mais dinâmicas e esses grandes espaços urbanizados, integrados às redes mundiais.
Nesse contexto, os novos estudos sobre a urbanização têm gerado novas nomenclaturas e classificações, aperfeiçoando o conhecimento das cidades brasileiras.
Dessa forma, atualmente, São Paulo e Rio de Janeiro podem ser consideradas metrópoles globais; as áreas metropolitanas de capitais importantes como Porto Alegre, Brasília, Salvador ou Curitiba formam as metrópoles nacionais; e, dentro dessa nova hierarquia urbana, existem ainda metrópoles regionais, como Goiânia e Campinas; centros regionais, como Manaus e Natal, além de cidades caracterizadas como centros sub-regionais (Santarém, no Pará, e Piracicaba, em São Paulo, por exemplo).
A industrialização tornou os centros urbanos responsáveis pela maior parte da produção nacional (estima-se em mais de 90%). Mesmo as atividades geradas no ambiente rural, como a agricultura e a pecuária, dependem fortemente de produtos, tecnologia, crédito e serviços fornecidos pelas cidades.
A década de 1990, entretanto, consolidou uma nova tendência de urbanização no Brasil, que pode ser caracterizada como uma desmetropolitização. Ou seja, uma reversão no crescimento das grandes metrópoles, em favor de cidades médias, onde os custos de produção são menores e as condições de vida tendem a ser melhores.
Indústrias e empresas ligadas ao setor de serviços realizam cada vez mais a escolha de localizações geográficas alternativas às saturadas metrópoles do Centro-Sul. Cidades como Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto, Goiânia, Florianópolis, além de diversas capitais nordestinas estão entrando definitivamente no mapa das empresas nacionais e estrangeiras.

6 CONCLUSÃO

Visando compreender a dinâmica recente da rede de cidades brasileira procurei investigar um fenômeno social que sintetizasse as condições socioeconômicas vigentes nos períodos analisados, por meio dos fluxos que conectam as áreas urbanas do país. A migração interna, por se tratar de uma variável demográfica que analisa fluxos populacionais, é uma aproximação da estruturação das conexões entre as localidades urbanas da rede. Ademais é clássica a associação, em toda a literatura especializada, entre a temática da urbanização e os movimentos internos da população, sobretudo no caso das nações capitalistas modernas. Autores de diferentes vertentes de pensamento concordam que a migração interna é um vetor de ligação entre as cidades e a direção dos seus fluxos pode funcionar como um indicativo das diferenças no porte econômico das regiões, bem como das oportunidades de ascensão social abertas pelos centros urbanos.

7 REFERÊNCIAS

MATOS, Ralfo E. S. A contribuição dos imigrantes em áreas de desconcentração demográfica do Brasil contemporâneo. Revista Brasileira de Estudos de População, Campinas, v.19, n.1, p.49-72, 2002.