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A Inclusão Escolar Do Aluno Com Deficiência Mental: Desafio Da Escola

RESUMO

A inclusão escolar do aluno com deficiência mental, ainda é um desafio a longo prazo. Sendo uma questão de direitos humanos, o avanço depende de políticas públicas, política educacional comprometida de fato com a inclusão, ações institucionalmente planejadas e colocadas em ação, sendo avaliadas. Assim como, se não forem trabalhados os preconceitos acerca da deficiência mental no cotidiano da escola, envolvendo toda comunidade escolar, a segregação permanecerá ainda nas salas de aulas regulares.

Palavra-Chave: Deficiência Mental; Políticas Públicas; Inclusão Escolar.

1 INTRODUÇÃO

Com base na Constituição Brasileira, é possível concluir que, se o ambiente escolar não for inclusivo, ou seja, se não atender a todos os alunos sem exclusões e restrições, não estamos falando em educação.
É preciso adotar ensino democrático e aberto à diversidade intelectual existente, entre os alunos de uma mesma sala de aula, em que os responsáveis pela escola saibam onde dirigir-se caso necessitem de algum apoio especializado relacionado ou não a educação especial. Pois afinal o objetivo é preparar cidadãos que possam enfrentar as adversidades porque elas fazem parte da vida e a sociedade como um todo possa compreender, acolher e ser amiga, para o cidadão ser mais feliz. Portanto é urgente e necessário estabelecer mudanças na educação!

2 A INCLUSAO ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIENCIA MENTAL: DESAFIO DA ESCOLA .

Para entendermos o que é inclusão, vejamos o significado da palavra incluir: “incluir seria conter em si, compreender, fazer parte” (FERREIRA,1999,p.310). Quando trazemos à tona a inclusão é porque existem pessoas que estão fora, excluídas. Na educação inclusiva que segue o principio da “educação para todos”, não significa que o fato de estarem dentro da escola, estejam incluídas.
A inclusão é sentir-se parte do grupo, trocar experiências, ser respeitado nas suas diferenças e não se submeter a uma cultura numa sociedade que estabelece padrões comuns, de convivência social.
Incluir é romper com os binômios normal/anormal superior/inferior, eficiente/deficiente, com preconceitos, com cristalizações, com relações de poder e dominação.

[…] Em fevereiro de 2006, a tradicional AAMR, “American Association for Mental Retardation” associação americana que durante cinco décadas carregou o termo retardo mental em seu nome, num gesto de renovação e sintonia com os novos tempos mudou de nome para “American Association on intellectual and Developmental Disabilities”, alterando inclusive sua sigla mundialmente conhecida de AAMR para AAIDD.
Na nota em que defende a mudança da nomenclatura o Editor do renomado periódico publicado pela associação, Dr. Steven J. Taylor, diz que o termo “deficiência Intelectual e do desenvolvimento” é menos estigmatizado. Ele ressalta que a mudança vai muito alem da simples troca de linguagem e terminologia: “ trata-se de uma questão de assumir uma atitude em prol da inclusão das pessoas com deficiência intelectual na sociedade”.

Em 1994, a Conferência de Salamanca foi um marco histórico. Organizada pela UNESCO e pelo governo da Espanha, contou com a participação de 94 representantes de governos e de organizações não governamentais.
A Escola Inclusiva segundo a UNESCO (1994, p.61)

[…] o principio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças deveriam aprender juntas, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos por meio do currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com a comunidade […]. Dentro das escolas inclusivas, as crianças com necessidades especiais deveriam receber qualquer apoio extra de que possam precisar para que se lhes assegure uma educação efetiva.

No Brasil a Declaração de Salamanca é o mais importante documento e tem sido o referencial básico para os mais recentes debates sobre educação para todos com a denominação educação inclusiva.
Ao definir, a deficiência metal, muitas vezes incorrermos no risco de reduzir e, portanto restringir o olhar para o individuo, originando concepções que priorizam os limites e não as possibilidades.
Ao trabalhar com a idealização de um modelo de aluno, a criança com deficiência metal estará sempre distante desse aluno ideal, justificando, para a ciência, os encaminhamentos obrigatórios as classes especiais e escolas especiais. É necessário que a educação regular reveja o preceito de igualdade, concebida como uniformidade, que alimenta o mito do aluno ideal e a patologização das diferenças.
Se a inclusão de alunos com deficiência metal na escola regular vem denunciar praticas tão excludente, mantendo um papel da denuncia de um sistema psicopedagogico hegemônico, vem também, apontar algumas soluções através de inúmeras praticas da qual a escola pública tem sido alvo. Mas sem dúvida, ainda estamos muito distante do que preconiza a Declaração de Salamanca, a escola inclusiva, mesmo por que, muitos estudiosos consideram, atualmente, a inclusão uma jornada sem fim, sendo que cada escola deverá encontrar obstáculos e soluções diferenciadas, porém, todos acharam que as barreiras mais difíceis de enfrentar emergem de dúvidas e preconceitos mais arraigados.
Nas diversas historias da inserção escolar com crianças com deficiência metal há o relato de desencontros, de preconceitos e de expectativas que não se cumprem. A possibilidade de uma ação criativa de uma busca pelo saber o desejo de conhecer, acaba sendo boicotado pela escola, transformando o ingresso escolar em muitos casos, em um processo traumático e descontinuo. A culpa pelo fracasso ou pela inadaptação recai sobre o aluno e, poucas vezes são pensadas como uma problemática produzida na relação com a escola ou instituição.
No que se refere à inclusão de pessoas consideradas deficientes metais Egle Montoan (1997) afirma que:

[…] o estudo da atividade cognitiva dos deficientes metais aponta-los a inclusão escolar destas pessoas, no ensino regular, como uma condição que poderá contribuir significativamente para estimulá-las a se comportarem ativamente diante dos desafios, abandonando, na medida do possível, os estereótipos, os condicionamentos, a dependência, os quais lhe são típicos […]. Acreditamos, ao incluir o deficiente mental na escola regular, estamos exigindo desta instituição novos posicionamentos diante dos processos de ensino e aprendizagem, à luz de concepções e praticas pedagógicas mais evoluídas (MONTOAN, 1997.p.199-120).

Uma escola inclusiva não é algo que está pronto, mas que poderá ser construída nas pequenas ações individuais e coletivas e num movimento da sociedade em geral.
Saber lidar com essas diferenças implica repensar sobre todo processo pedagógico, as ações dos profissionais, buscando parcerias, mudando atitudes, lutando por direitos para todos.
O desafio da escola para a inclusão de alunos com deficiência mental, exige condições de mudanças estruturais na escola e no currículo, o fundamental e essencial são as mudanças de atitudes assim como e necessário buscar parcerias, mudar atitudes e lutar por direitos iguais para todos.
É preciso facilitar as condições de aceitação de forma absoluta, visando um atendimento harmonioso desde a infância. Buscando a inclusão com crianças da mesma faixa etária, estimulando as amizades, o respeito e a solidariedade.
A imitação é muito importante para os processos de aprendizagem. É imitando que iniciamos nossa vida, falar, andar, até mesmo sorrir. A integração entre familiares, professores; equipe de apoio e fundamental para a evolução da criança. O trabalho lúdico descontraído, o concreto auxilia no desenvolvimento.
As atividades devem ser repetidas para que o mesmo possa compreender e acompanhar a linguagem deve ser mais simplificado, elogiar quando se destacar nas atividades realizadas e quando necessário estipular disciplinas e regras com todos os alunos, onde todos tenham obrigações e direitos sem fazer diferenças.
Para que a escola possa fazer um bom trabalho de inclusão precisa ampliar a compreensão dos processos cognitivos e dos problemas de aprendizagem no seu desenvolvimento. É necessário que sejam feitas mudanças nos processos de gestão, formação de professores com metodologias educacionais, compartilhar ações, planejar ações e avaliar, preparar a comunidade escolar, ter rampas de acesso a todos os ambientes da escola bem como materiais e mobiliários adaptados é fundamental a inserção da política de inclusão escolar no Projeto Político Pedagógico (PPP), pois é o documento que orienta e fundamenta o bom funcionamento da escola.
Assim poderemos ter esperança que a deficiência mental encontrará na escola inclusiva a possibilidade de tornar-se um cidadão produtivo e feliz.

3 CONCLUSÃO

É importante termos claro que construir uma escola inclusiva é uma tarefa social, não somente do professor, nem tampouco da escola, nem somente de familiares e comunidade, mas de todo o conjunto de pessoas e Órgãos Públicos.
Juntos nesta rede de apoio, é necessário responsabilidade qualificação, inovação e conhecimento gerando compreensão, para modificar as situações que prejudicam a qualidade da educação da maioria da população brasileira.

4 REFERÊNCIAS

FERREIRA, Aurelio Buarque de Holanda. Novo Aurélio : o dicionário da língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1999.
MONTOAN, Maria T. E. (org). A integração de pessoas com deficiência: contribuições para reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon: Editora SENAC, 1997.
DECLARAÇAO de Salamanca. Disponível em http://www.cedipod.org.br/salamanc.htm Acesso em: 14 jan.2008.
American Association on Intellectual and Developmental Disabilities. Disponível em http://www.aamr.org/About_AAIDD/MR_name_change.htm Acesso em: 14 jan. 2008.